8.7.11

APJCC apresenta

Hoje, a APJCC divulga o primeiro passo de um projeto que pretendemos desenvolver no decorrer deste segundo semestre. A aba "APJCC apresenta" dá acesso ao piloto de um programa desenvolvido com o intuito de expandir a discussão sobre cinema, crítica e sociedade para além de seus limites espaciais. Se a mídia, e isso há algum tempo, é a esfera pública da nossa época, já é hora de a APJCC pedir licença nesse púlpito. Façamos um cineclube virtual! E, claro, a prioridade, como sempre, é o diálogo. Então, convidamos todos a assistir e comentar o programa #1: "Crítica pra quê?".

Informações técnicas:

Felipe Cruz, Luah Sampaio e Miguel Haoni (membros da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema) debatem sobre a função da crítica.
Produção e câmera: Gabriel Gaya, Glenda Marinho, Janaína Torres;
Produção e montagem: Luana Beatriz
Música: Zoot Sims Quartet - "Blinuet"
Agradecimento: Gabriel Vilhena
Realização: APJCC

15 comentários:

Filosokiko disse...

eu vejo muito o crítico de cinema (concordando com os aspectos que voces colocaram: o politico, educativo, de prolongamento ou continuação da obra etc.) sob o aspecto que tem haver com a ótica que o felipe colocou, i. é, o de ser uma espécie de continuação da obra. Nesse sentido gostaria de tentar adicionar algo. O critico deve ser uma espécie de decodificador da obra, sem cair no risco de determinar demais ou limitar demais... exemplo: muitos críticos de arte voltaram as costas pra grandes novidades que depois de algum tempo se confirmaram como obras-primas, sendo que tais já nasceram grandes obras. A obra de arte é muito mais do que ela mostra. No caso do cinema, ela é muito mais que enredo, o enredo é visível e entendível a qualquer um, mas o silencio da obra de arte é que o crítico revela, a obra de arte só é obra de arte por causa do seu silencio, os filmes comerciais não operam o silencio da obra, por isso não são obras de arte. O quadro do sapato do Van gogh, não é um sapato. O foucault ao analisar uma obra do René Magritte que diz: isto não é um cachimbo, mostra que a arte é muito mais do que é dito, muito mais do que é mostrado. No cidadão Kane, vejo não só as inovações técnicas, mas também o silencio que a obra opera... ninguém sabe o que é ou foi Rosebud na boca de Kane, pra citar só um exemplo, mas o espectador vê, no silêncio do filme que rosebud é o resgate da infancia feito por kane que representa a dissolução da sociedade moderna... ele poderia ter feito isso de qualquer maneira, mas escolheu o trenó, um mero "artefato" para originalmente imprimir, em mim por exemplo, essa interpretação... que é o movimento que acho que o cinema faz entre imagem e roteiro, me parece que o roteiro dá movimento à imagem e assim não diz, dizendo. Um exemplo clássico é o horror italiano que tem enredos que não dizem nada; quem diz algo, ou melhor, não diz, é a forma como o enredo é movimentado, através do jogo de cores, luz e sombra, inovações técnicas etc., (a bala que entra pelo olho mágico atravessa a cabeça da mulher e quebra o telefone no fundo da sala, pra citar o Ophera do Dario). Ou os jogos de cores que ele faz em suspiria... enfim. espero ter adicionado algo. Metade disso aprendi com voces. Boa sorte a APJCC.

Vinícius Santos de Souza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vinícius Santos de Souza disse...

Interessantíssimo, e necessário, o projeto “APJCC apresenta”, principalmente, por ampliar a discussão de temas importantes acerca da arte cinematográfica, como é atestado pelo tema do primeiro programa, “crítica pra quê?”, no qual se indaga a verdadeira função da crítica. Assim, gostaria de contribuir um pouco com a discussão. Mas antes de indagar a função de tal instituição, não se pode perder de vista a ligação entre ela e outras duas instituições de recepção da obra de arte, a teoria e a história. A ligação entre as três se da na medida em que para avaliar (analisar /criticar) uma obra de arte são necessárias noções teóricas, preceitos básicos, do que seja tal arte, sendo que tais noções ou preceitos (constituintes da teoria) estão em constantes modificações para acompanhar, por meio do contato direto (da crítica) com a obra, a evolução histórica dessa determinada linguagem. Desse modo, a teoria é inviável sem a história e a crítica, da mesma forma que a crítica se torna, também, inviável sem a teoria ou a história. Neste sentido, a crítica é a parte prática, pragmática, até pedagógica – no sentido de manter diálogo direto com o espectador –, das três instituições. Talvez, a melhor definição de crítica, ou da função do crítico, seja a do Bazin: “a função do crítico não é trazer numa bandeja de prata uma verdade que não existe, mas prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o lêem, o impacto da obra de arte”. Assim, a opinião do Felipe Cruz, que considera que a crítica deva estar à altura da obra analisada, também é interessante, pois se em dialogo com o conceito da função da crítica do Bazin, mostra a responsabilidade que o crítico da arte deve ter não só com o espectador/ receptor, mas também com o artista e sua obra. Dessa maneira, o diálogo entre a arte e o público, mediado pela crítica, visando à democratização e não a banalização da linguagem artística, é a melhor maneira de garantir a evolução da arte.

Rodrigo Erdmann disse...

Seria muito interessante utilizarem mais de uma câmera da próxima vez, mas com mais dinamismo na filmagem, como se fosse aquele programa de entrevista do SBT, Etc & Tal.. acho que ficaria muito bom assim!

Samir Raoni disse...

Primeiramente dizer que achei muito boa essa idéia! Parabńes a todos os envolvidos! Fantastico esse projeto!
E por acreditar na proposta venho aqui falar sobre um dos mais novos projetos que a Casa Fora do Eixo São Paulp está participando, a Pós Tv!

Trata-se de um canal de tv colaborativa, onde queremos colocar na internet programas diferentes, que não vemos na tv mesmo, feito todos os tipos de pessoas/experiências/curriculums.

E como o nome, estamos trabalhando um conceito sem grade, uma pós grade. Até agora estamos assim:

- Segunda Dose (Seg), apresentado pelo Bruno Torturra, jornalista da Trip, onde ele fala sobre drogas, debatendo desde o efeito de cada uma delas até puxando a questão da legalização.

- Supremo Tribunal Liberal (Ter), apresentado pelo Claudio Prado, que dispensa apresentações, puxando o debate do pós rancor, contando sua experiência, causos e debatendo sobre pontos como casamento gay, o conceito de liberdade etc.

- Bunker (Qua), apresentado por Alê Youssef, do Studio SP, casa de shows referência no país todo. Fala de Música, bandas novas, velhas, de passagem e acontecimentos das mesmas na cena paulistana.

- Fora do Eixo (Quin), apresentado pela Casa Fora do Eixo, sempre rodando as apresentações, a última edição ontem foi apresentada pelo Ney e Mi. Programa interativo de F5 com a rede aberto a todos, que entre twticams e skypes com todas as regiões do país, debatem pautas que estão na nossa atmosfera: experiência alternativa de vida, economia solidária, banda larga, políticas culturais, etc.

Estamos na terceira semana de realização dos programas, testando a cada um deles novas maneiras de interação e de produção televisiva mesmo! As respostas tem sido bacanas, estimulando esse laboratório da Tv 2.0, e dá uma visibilidade maior pros nossos projectos (na última edição do Fora do Eixo, por exemplo, a SEDA despertou muita curiosidade no público).

Queremos contar com a rede para sugestão de temas para esses programas já existentes e de novos também! Iria ser legal ter aqui programas sobre culinária sustentável, diários de produtores, moda alternativa, literatura diferenciada, etc. Bora ajudar?

Que colectivos estariam afim de pegar programas? Estamos construindo o site da iniciativa e queremos chegar a ter 02, 3, 4 programas ao mesmo tempo! E todo o horário é viável. A equipe da Casa se coloca na base para ensinar a postagem no site, redes socais, técnica, manutenção etc. Por ser um laboratório constante, estamos pensando também num briefing colectivo para desenvolvimento da Identidade Visual, seria óptimo se os designers do FdE e parceiros pudessem apresentar propostas.
Acredito que seja uma grander oportunidade de ampliar essa discussão da APJCC com cineclubes,críticos, cineastas, público em geral em um espaço que tem tudo para dar super certo.
Vinculado a isso, volto a questão de transmissão ao vivo com o Cine CCBEU que já esta com uma grade de ocupação dos cineclubes definidas.

Aguardo resposta!

Samir Raoni

Anônimo disse...

Miguel Haoni

Kiko: valeuzão pela contribuição. Essa fala do "silêncio da obra" é muito bonita e representa muito bem a maneira como o crítico deveria trabalhar.

Vinícius: não preciso dizer que concordo totalmente com o que escreveste. Só acho que o termo "instituição" para estas faces do processo artístico é muito forte. Eu me arrependi na hora de ter recorrido a ele. E essa frase do Bazin é realmente perfeita.

Rodrigo: na verdade usamos duas câmeras e a "precariedade" foi proposital. Mais do que excelência técnica, queríamos ter o prazer de realizar isso com as nossas próprias mãos, dentro de nossas limitações. Entretanto reconheço que as câmeras precisam se mover mais e que um microfone direcional ajudaria muito, mas isso vai ficar para os próximos. Sem nunca imitar o etc. e tal, evidentemente.

Samir: altamente, nos coloque em contato com os caras e nós vemos essa possibilidade. O nosso objetivo é ampliar o alcance desse trabalho e uma entrada em SP ajudaria muito pra chegar no resto.

Muito obrigado a todos e continuem colaborando nessa luta.

Anônimo disse...

De Murilo Coelho.
Primeiramente: parabéns pela iniciativa e aguardo a continuação!
Bem, o diálogo é algo mais que fundamental para a constituição tanto de uma personalidade quanto de um assunto que se pretenda abrangente. Portanto, endosso muito o que se disse a respeito do silêncio da obra, da crítica enquanto um processo criativo, do gosto como uma prisão onde os carrascos são o já conhecido e experimentado e a única liberdade é a prolongação do mesmo até o ponto em que este se confunde com tudo e o resto se torne um imenso e inexpressivo nada e, para contribuir um pouco neste diálogo, quero resgatar o comentário quase imperceptível mas muito relevante do Gabriel no final da parte 3, o Haoni vai falar sobre a inserção da APJCC na WEB e o Gabriel diz MODA. Só gostaria de salientar que a moda é algo contagiante e o seu principal mérito é a adoção dos novos "costumes" em detrimento dos já velhos ou engessados "fatos",sendo assim, vejo tanto a crítica, quanto a APJCC, quanto a inserção da APJCC na web e essa parada do Samir em sampa como movimentações de criação e resistência, oferecendo assim outros espaços, outras linguagens que - lembrando a importância do que o Haoni disse sobre o império da mediocridade - ao menos podem servir para os que se sentem orfãos no meio dessa imensa bola de merda chamada por alguns de cultura de massa. Creio, sinceramente, que a difusão do diálogo e a proliferação desses "outros" espaços são não a chave para se exterminar a mediocridade - para tal tarefa nem a liga da justiça é páreo - mas para criar ou abrir brechas onde consigamos respirar algo de diferente em meio essa atmosfera viciada e reconhecermos que não estamos assim tão sozinhos.
abraços para todos que idealizaram isso e principalmente para aqueles que se proponham a "engrossar o caldo" desse debate de opiniões não-exclusivas.

Anônimo disse...

De Miguel Haoni:
Égua,saído da catacumba!
Valeu pelo apoio meu irmão. Tens que te integrar nessa cena cara, vamo fazer um intercâmbio Pará-Curitiba o quão antes nessa web.
Conseguiste ouvir a cretina intervenção do Gabriel.Maravilha! O som então está menos podre do que eu pensava..
Tás escrevendo muito bem Murilo, (cadê teus trampos?)
Gosto particularmente de: "o gosto como uma prisão onde os carrascos são o já conhecido e experimentado e a única liberdade é a prolongação do mesmo até o ponto em que este se confunde com tudo e o resto se torne um imenso e inexpressivo nada ". Aqui em Belém os disseminadores dessa parada são os críticos- gracinhas, que atuam com tanta fofura que são praticamente intocáveis. Mal sabem os incautos a faca que lhes éespetada nas costas..

Anônimo disse...

Quero parabenizar a iniciativa de fomentar o debate em torno da função da crítica. Sair das discussões entre amigos e expor isso é dar a cara à tapa. Parabéns.
Maaaas... para além dos elogios, gostaria de botar um pouco de lenha nessa fogueira, se me permitem. Duas questões não ficaram esclarecidas – para mim – na exposição de vocês, e é por isso que estou aqui.
Primeiro: Onde fica o limite entre ser crítico de cinema e não ser crítico de cinema? Quer dizer, eu posso fazer uma análise de um filme para além do modelo “sinopse”, se eu quiser. Claro que levarei algum tempo, terei que ler sobre cinema, ver o filme várias vezes, estudar o que já se disse sobre o filme, ter um pouco de criatividade e etc. Agora, isto faz de mim um crítico?
Segundo: A crítica deve estar à altura do filme analisado, diz o Felipe. Vocês são críticos. Logo, a crítica que vocês fazem está à altura do filme que vocês analisam. É isso?
Abraços,
Raquel Minervino

Anônimo disse...

de Miguel Haoni:
1° O "crítico" é uma categoria difícil de delimitar. Tanto quanto "artista" ou "cineasta". Penso que o crítico é aquele que se propõe a esse exercício que descreveste de maneira militante, permanente e continuada e que também, necessariamente, publiciza seus textos (orais ou escritos).
2° Dentro do processo polifônico de construção do conhecimento crítico, acredito que o elemento mais eloquente precisa ser necessariamente o filme. A análise crítica seria como uma segunda voz, na minha opinião de menos impacto mas com uma função de prolongamento reflexivo do filme. A idéia da crítica à altura do filme, é mais um norte do que uma realidade prática. É preciso que o crítico apaixonado, PROCURE estar a altura do filme. Sem diminuí-lo, medicrizá-lo, facilitá-lo em chavões do tipo "muito atual", "retrata a condição humana" ou "fotografia belíssima". O "crítico" que lança mão de análises do tipo: "ela merecia o tiro naquela parte" ou "ele reagiu assim por ciúme no final" não é crítico.É um jornalista-resenhista de 2° classe (abra o jornal e eles estarão lá). A crítica maiúscula demanda um trabalho de análise e reflexão que, se não for tão grande quanto o trabalho do artista, não deve ser menos refinado.
Pessoalmente, respondendo a tua última pergunta, acho que sim, sob essa perspectiva meus textos orais (afinal sou professor e não escritor, e minha tradição ancestral amazônica é a da oralidade) estão no sentido da busca pelo melhor tratamento que eu (limitado que sou) posso dar para aquelas obras.
Certinho?
Acho que o Felipe vai falar mais quando voltar de Macapá.

Valeu Raquel e abração!

Anônimo disse...

Miguel, gostei da tua resposta.
Só não gostei do "certinho?". rsrsrs
Abraços. Até a próxima ;)
Raquel

Anônimo disse...

Well, tô vendo que a galera que comenta aqui saca pelo menos alguma coisa de cinema. Acho que isso constrange não só a mim, mas a todos que ainda estão tateantes, como disse miguel no vídeo, no mundo do cinema. Porém, vencendo a vergonha resolvi comentar minhas opiniões sobre o projeto.
Cara, primeiro eu gostaria de parabenizar vocês pela iniciativa! Acho que esse formato "web" realmente pode atingir mais gente já que nem sempre a galera tem tempo/disposição pra sair de casa e migrar em busca de conhecimento, seja pela distância, cansaço, rotina de trabalho e/ou estudo massante, e etc. Além disso, acho que programas desse tipo podem nos fazer entender mais facilmente coisas que no debate olho a olho seria rude de dizer, como o papo do Felipe e da Luah, de que é preciso abaixar a cabeça e ouvir, se nós, o grande público, quisermos realmente aprender algo. Eu me identifiquei muito com a fala da Luah quando ela diz que parece que quando um crítico escreve alguma coisa e nossa opinião diverge da dele, ficamos com a impressão, se derrepente pararmos pra pensar e vermos que concordamos com ele, de que só mudamos de opinião por que ele é um crítico, saca? E nós não. Mas no vídeo dá pra entender que muitas vezes o cara "conversa" com a gente, em vez de apenas impor o que ele acha. O que definitavemente nós precisamos é deixar um pouco o orgulho de lado e pararmos de achar que sabemos alguma coisa de cinema por que ontem vimos um filme do John Ford, ou algo do tipo (Quando me refiro a nós, quero dizer o grande público tateante, que para mim parece ser a maioria no cine CCBEU).
Em relação à fala do Miguel, acho que o papo é o caráter educativo da crítica mesmo, sabe? Pelo menos aqui em Belém, onde não temos um graaaande cenário cultural. Por que, por exemplo, onde eu, uma adolescente de 16 anos, acostumada a frequentar moviecom/cinépolis vou aprender algo sobre cinema de verdade, de graça? Sem querer desmerecer os cursos de crítica de cinema da cidade, mas não é todo mundo que tem grana e saco pra pagar um curso na caiana, certo? Acho que o negócio de que conhecimento individual é morto sintetiza isso muito bem.
Finalizando, acho que uma coisa importante a ser dita, reforçando a idéia do Felipe, é que público precisa ser valorizado, saca? De vez em quando eu ouço umas conversas de uns amigos dizendo que irrita uns comentários "idiotas" de algumas pessoas nas sessões, por que tais pessoas não gostam de cinema de verdade, e sim do "glamour", ou do momento histórico do filme em questão. Na minha humilde opinião, independente de como o público seja, vocês estão fazendo a parte de vocês. E mesmo se o cara comentar algo idiota, é a opinião dele, saca? Ele se dispôs a ir ali, ver o filme e ficar pro debate, então com o conhecimento de vocês, tentem explicar de uma forma que sem ofender, o cara entenda que a qualidade de um filme não depende se o tema é interessante, ou se o ator é um dos maiores astros de hollywood.
Ah, passar imagens e explicar rapidamente quem são os caras de que vocês estão falando contribuiu para o entendimento de quem não é letrado no assunto. A ideia de passar filmes ruins ou com problemas também é muito boa.
Atenciosamente,

Victória Rapsódia, participante orgulhosa do grande público.

OBS: Há algum tempo li uma discussão aqui no blog sobre risadas e conversas na sessão maldita e não conseguia entender como vocês se irritavam tanto com isso. Ontem fui ver Meia noite em Paris numa sala lotada e entendi.

Anônimo disse...

de Murilo Coelho.
To gostando muito do rumo que esse debate tá tomando, mas gostaria de retomar a questão primeira: crítica pra que?
Não que eu pense que o vídeo no youtube esteja incompleto e que eu esteja com dúvidas a esse respeito, muito pelo contrário, o vídeo é excelente, consegue amalgamar as questões mais substanciais sobre o assunto e ainda por cima nos comunicar isso no formato de uma leve e descontraida conversa entre amigos na mesa de um bar, lugar privilegiado para o desabafo que é o elemento mais honesto de um franco diálogo. No entanto, vou reiterar o que eu já disse e o que o Haoni falou também: a crítica é um negócio muito grande!!
Gosto muito da definição de Bazin: “a função do crítico não é trazer numa bandeja de prata uma verdade que não existe, mas prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o lêem, o impacto da obra de arte”. Gostaria de discutir sobre um ponto específico dessa frase, debater com todos vocês não com a finalidade de alcançar uma conclusão, mas sim de prolongar o máximo possível o entendimento sobre o que subjaz à palavra "prolongar". Me vém logo à cabeça, graças às minhas leituras, a palavra desdobrar. Tem uma cena em um romance onde um personagem brinca com um brinquedo chinês feito de papel, no momento em que ele pinga uma gota de água nesse brinquedo o mesmo vai se abrindo, como se desabrochase, e começa a assumir outras formas, formas estas indeduzíveis a partir do primeiro formato. A diversão dessa bricadeira é justamente a pazerosa surpressa do inesperado, diante de uma nova forma que contraria toda a nossa primeira convicção só nos resta sorrir.
Bem, deixemos as brincadeiras de lado. Um dia o Lusca (Lucas Gouvêa) me disse que quando ele lê algo que gosta - uma idéia, frase ou conceito - essa coisa se torna dele, como se ele tivesse pensado aquilo, eu concordei prontamente e disse que essa noção de propriedade deve ter tido origem no pensamento católico - ainda de forma tateante -, ter recebido um impulso com o advento do capitalismo, ter sido conceitualizado e trabalhado e retrabalhado pela consciência romântica e, por fim, ter sido sacralizado pela consciência burguesa.

Anônimo disse...

De Murilo Coelho (continuação).
Acredito que a crítica é a consciência da ausência de posse,criticar um filme ou um poema é desdobrar nossas convicções, nossas idéias, é dialogarmos com nós mesmos, a obra está ali diante da gente e mergulhar nela é mergulhar em si próprio porque mergulhar em si próprio é também mergulhar no outro - sem o fio de ariadne um certo herói grego estaria até hoje perdido no labirinto de si. Posso passar 3 horas sentado assistindo Magnólia e no final do filme me levantar e ir para a cozinha descascar batatas ou posso abrir o word e começar a escrever/descrever as minhas impressões. Creio que um filme é a estetização - entendendo por isso a disposição de idéias e sentimentos em uma forma sensível e compreensível - dos sentimentos, medos e volições que se encontram dispersos na infléxivel linearidade cotidiana do ser humano, dai assistimos a um filme e é como se todos esses fragmentos se juntassem graças a um eixo comum que os atraísse como que por efeito magnético. Este eixo comum é a arte. Criticar, dentro deste contexto, é desenvolver as propriedades específicas desse espaço-tempo proporcionado pela experiência estética, é compreender que o artista sentiu e não se conformou em sentir, ele teve que dar forma ao seu sentimento e expressá-lo e nós, como se retribuíssemos a solidariedade, também não nos conformaríamos em apenas sentir, portanto, daríamos também uma forma a este sentimento. Talvez esta forma seja um outro filme, um bocejo, uma lágrima ou um texto crítico. Nenhuma forma é melhor que a outra e todas são válidas porque todas existem e é isso aí. No entanto, o crítico é aquele que escolhe mergulhar e correr o risco de se surpreender com o inesperado. É também aquele que não se vê como algo terminado, uma subjetividade cheia e estática, mas se vê em processo, que compreende que a sua cultura advém dos outros, do mundo, e que se ele fosse sempre citar a fonte das suas idéias ele teria que citar seu pai, o vizinho, o tio, a tia, o seu escritor favorito, os amigos, o professor e por aí vai. Não to dizendo que citar é o mesmo que parafrasear o que nos dizem, citar aqui pra mim é como se tocassem a bola pra você e a partir dali ce que sabe o que fazer...

Anônimo disse...

de Miguel Haoni

Victória:
1 - Acho que todos (realizadores, crítica, público)temos muito a aprender e ensinar.
2 - Ninguém coloca arma na cabeça de ninguém para que se "aceite" um ponto de vista. Se um crítico é incisivo ou mesmo violento, ele só pode tentar convencer os seus leitores. No mais, a opinião dele é só mais uma (mais ou menos qualificada) que pode ou não ter relevância na perspectiva do espectador/leitor.
3 - O conhecimento tem que ser livre pra todos. O ideal era que os nossos representantes convertessem alguma coisa da grana que pagamos de imposto para que espaços públicos de cultura oferecessem cursos e oficinas de cinema e arte gratuitamente para a população. Enquanto isso não é viabilizado temos que "vender" nossos trampos mesmo, na Caiana, no IAP, no Casarão ou em qualquer lugar. Só não dá pra ficar parado.
4 - Vou fazer uma camisa com a frase: "AMO, LOGO CRITICO". Obviamente o público deve ser respeitado, mas sem indulgência. É preciso o confronto.. a discordância, sair da zona de conforto. E isso pode ser ofensivo pra alguns, mas... paciência!
5 - Exibir filmes ruins seria bom se já não rolasse o tempo inteiro. E não temos tempo a perder!
6 - O tal "respeitável público" é por vezes o maior inimigo do cinema.

Abração!