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29.5.12

APJCC e Sesc Boulevard realizam curso de cinema oriental contemporâneo

Curso de Cinema Asiático Contemporâneo: enfim às Índias

Se houve vezes na História do Cinema em que os EUA trouxeram a novidade, ou a França, a Itália, o Brasil, a URSS, hoje, sem dúvida, é dos países do Extremo Oriente que surgem os objetos mais notadamente não-identificados. Afora o movimento forte de vanguarda, parece vir de lá, como se não bastasse, o melhor “cinema clássico” assim como o melhor “cinema comercial”.
Tais cinematografias, por se tratarem de obras experimentais e/ou distantes, tem circulação restrita a poucos circuitos alternativos. Devido a essa falta de acesso, acabamos creditando a outros o pódio que outros mereciam ocupar.
O “Curso de Cinema Asiático Contemporâneo: enfim às Índias” propõe uma grande navegação a esse inexplorado continente, tão rico e fascinante. A cartografia deverá ser crítica, os olhos nus, a vontade de exploração criativa. Serão 4 módulos, 2 cineastas perseguidos em cada. Enfim às Índias, sem sair do lugar.

17.5.11

Era uma vez em Hong Kong

*versão original do texto publicado com alterações no Jornal Amazônia do último dia 15/05.



Bruce Lee, Jackie Chan e, em menor número, Jet Li. Esses são os três nomes que você certamente irá ouvir caso saia por aí perguntando sobre o cinema chinês de artes marciais. Muito provavelmente, serão os únicos. Não se engane: nesse caso, não há grande diferença se a pessoa faz parte da galera que engrossa as filas dos blockbusters ou do seleto grupo de cinéfilos que frequenta sessões alternativas. Tudo bem, os últimos podem até citar Zhang Yimou ou Ang Lee. Isso não descaracteriza em nada o problema proposto: a marginalização (e consequente esquecimento) de toda uma tradição artística fundamental para o cinema. 

Justificativas são fáceis de encontrar; a dificuldade de acesso é uma. No Brasil, desde o fechamento da distribuidora China Video, a circulação de filmes tornou-se mais restrita e acontece, sobretudo, por meio de cópias importadas. Além disso, quem se nega a enveredar por estes caminhos traz sempre na ponta da língua os estereótipos próprios a quem olha o gênero de fora: roteiro banal, narrativa linear e, subentende-se, desinteressante, irrealismo, “glorificação” da violência. Para o público em busca de entretenimento, qualquer justificativa é aceitável, mas nenhuma é concebível para quem se propõe a estudar, criticar ou simplesmente conhecer cinema.

Capítulo importante na história da sétima arte, a produção que se notabilizou na Hong Kong dos anos 1960 e 1970 ainda é restrita ao círculo de fãs do gênero, especificamente, e do exploitation, em geral – cujo representante mais famoso é o diretor Quentin Tarantino. É necessária a expansão desse círculo em dois eixos: tanto em tamanho, quanto em profundidade, no sentido de enxergar o que realmente esse cinema tem a proporcionar, além de socos e pontapés.

De todos os gêneros cinematográficos, o filme de espadachim e de kung fu pode ser o mais difícil de se adentrar: causa o estranhamento de um musical, em que coreografias irrompem a qualquer momento e tomam proporções desnecessárias – à primeira vista. Se no gênero hollywoodiano, entretanto, a música ajuda o espectador a entrar no ritmo da cena, aqui a coisa é mais complicada uma vez que o ritmo está centrado na visualidade; ele vem muito mais do movimento, seja dos corpos pelo campo, da câmera, ou mesmo da montagem. 

Outra coisa necessária para se aventurar nesse cinema é certificar-se de ter feito o pacto com a obra. Como todo gênero, neste também há convenções que seriam completamente irrealizáveis fora do universo fílmico. Há que se respeitar a diegese e não contestá-las. É necessário, por exemplo, não questionar como um homem, mesmo gravemente ferido, é capaz de enfrentar uma multidão (O Assassino de Shantung, Chang Cheh, 1972); ou como marido e mulher passam a lua de mel disputando quem tem a melhor técnica de kung fu (Carrascos de Shaolin, Lau Kar Leung, 1977); é preciso aceitar o sangue vermelho tomate e os cenários de estúdio nitidamente artificiais.

Requisitos atendidos, basta despir-se dos preconceitos para perceber a riqueza dessa tradição. Se uma das características mais proclamadas da modernidade na sétima arte é a elaboração de um cinema do corpo, o filme de artes marciais de Hong Kong esteve na linha de frente. Nesse sentido, dois autores são fundamentais: Lau Kar Leung e Chang Cheh. Ao lado de King Hu, constituem a tríade que guiou a renovação do gênero, desenvolvendo, na confluência entre Oriente e Ocidente, uma estilística revolucionária. No entanto, enquanto neste último diretor o sentido de transcendência é sempre muito forte, a imanência, a ênfase no corpo ritualístico, é imprescindível aos dois primeiros.

É na trajetória desses corpos que se concentra o sentido do filme: seja o moral, seja o estético. Esbanjem energia ou desenvolvam a sua danse macabre; é para eles que tudo converge. Olhares, gestos, posturas dizem mais do que as palavras, que na maioria das vezes não dizem nada. “Eis o modo de dirigir atores: não os deixe falar”, teria dito John Ford ao ser questionado sobre o assunto. Como todo cinema, o filme de artes marciais é, sobretudo, modulação de movimento. E como todo cinema de gênero; é imagem. É óbvia a conclusão, mas ainda há quem a desconsidere: o estatuto de imagem lhe garante que, para proceder qualquer julgamento a seu respeito, primeiramente é necessário vê-lo.

Juliana Maués - APJCC 2011

23.11.10

"Vingança" encerra ciclo "Johnnie To e o Balé Silencioso"

Cine CCBEU apresenta

"Vingança", de Johnnie To

Sinopse:

Costello (Johnny Hallyday, a recuperação de uma das maiores estrelas francesas dos últimas décadas para um arrojado papel), é um “chef” com um restaurante em Paris que chega a Hong Kong para vingar a filha dele, em coma no hospital, após a família ter sido assassinada.
Sem contactos locais, uma coincidência leva-o a contratar três assassinos a soldo. Entrega-lhes uma avultada soma de dinheiro e oferece-lhes o restaurante em troca de uma vingança, contra os autores do crime. Olho por olho, dente por dente.


Sobre o filme:

Nos últimos anos, o cineasta de Hong-Kong, Johnnie To revelou ser uma força criativa incontornável. Sua obra dialoga e transcende a tradição cinematográfica dos "filmes de gênero", tanto no ocidente quanto no oriente, construindo assim uma nova topografia, com sua câmera comportando-se como a pena de um artista da caligrafia.

Em 2009 entretanto, o mestre se supera! "Vingança" é o ponto de convergência para os caminhos que Johnnie To percorreu nos últimos anos: o silêncio eloquente, a poesia dos movimentos, o bromantismo trágico, a inutilidade da arte. Tudo envolvido pela atmosfera suspensa de violência e tristeza.
Mas mais do que isso, um filme-alzheimer. Um filme que se perde pra se encontrar em retalhos de imagens, um filme que reconstrói as cenas no exercício do olhar. Um filme para nunca ser esquecido.


Miguel Haoni (APJCC - 2010)


CINE CCBEU: espaço de exibição de grandes obras da cinematografia mundial e fórum regular de debates sobre arte, cultura e cinema.

Numa parceria entre Centro Cultural Brasil Estados Unidos, Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC) e Cineclube Amazonas Douro, o Cine CCBEU funciona toda quinta, às 18:30, e apresenta dia 25 de novembro o filme "Vingança", encerrando o ciclo "Johnnie To e o Balé Silencioso" que contou com a curadoria especialíssima de Max Andreone (APJCC).
No dia 2 de dezembro será exibido o episódio "O Contador de Histórias", abrindo o ciclo "Uma viagem pelo cinema americano com Martin Scorsese".
Sempre com entrada franca!


Serviço:
25 de novembro (quinta)
às 18h30
no Cineteatro do CCBEU - Tv. Padre Eutíquio, 1309
ENTRADA FRANCA

Realização: APJCC e CCBEU
Apoio: Cineclube Amazonas Douro


Mais informações:
Comunidade e Perfil
E-mail: cineccbeu@gmail.com
Twitter da APJCC
Contato: (91) 88131891

17.11.10

Cine CCBEU exibe "Sparrow", de Johnnie To

Cine CCBEU apresenta: 

"Sparrow", de Johnnie To




Tão leve que parece pedir para ser encarado como um filme menor de Johnnie To, trata-se de um dos seus mais elaborados e cuidadosos trabalhos já realizados por ele. Um musical sem números musicais visivelmente influenciado por Demy (para muito mais que a trilha à Michel Legrand) sobre ladrões de carteira e uma série de pequenos golpes e trapaças. Para muito mais que a coreografia e o tom de doce melancolia que marca o filme, a influência de Demy se dá na maneira que toda leveza do filme nunca disfarça o que está em jogo em cada troca em que os personagens se envolvem. No meio do caminho To nos apresenta a algumas das mais precisamente coreografadas seqüências do cinema em especial o duelo dos batedores de carteira e o interlúdio entre Simon Yam (perfeito como sempre), Kelly Chen e um cigarro que consegue superar qualquer coisa que Kar-wai tenha feito em termos de cinema fetichista. Mas Sparrow trata-se sobretudo de uma magnífico filme de cidade onde To vai aos poucos catalogando as mudanças de Hong Kong nos últimos anos (razão pela qual ele gastou 3 anos filmando este filme aparentemente muito simples e a ênfase no hobby de Yam ser fotografia). Sparrow respira a cidade e a câmera do cineasta sempre a lerta para descobrir um novo ângulo e uma nova maneira de entregar ação a locação

*Retirado de anotacoescinefilo.com



CINE CCBEU: espaço de exibição de grandes obras da cinematografia mundial e fórum regular de debates sobre arte, cultura e cinema.
Numa parceria entre Centro Cultural Brasil Estados Unidos, Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC), Cineclube Amazonas Douro e com o apoio da Rede Norte de Cineclubes, o Cine CCBEU funciona toda quinta, às 18:30, e apresenta dia 18 de novembro, excepcionalmente no auditório, o filme "Sparrow", dando prosseguimento ao ciclo "Johnnie To e o Balé Silencioso" que conta com a curadoria especialíssima de Max Andreone (APJCC).
No dia 25, será exibido o filme "Vingança" , encerrando a programação de novembro.
Sempre com entrada franca!


Serviço:
18 de novembro (quinta)
às 18h30
Excepcionalmente no auditório do CCBEU (Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA

Realização: APJCC e CCBEU
Apoio: Cineclube Amazonas Douro e Rede Norte de Cineclubes

Mais informações:
Comunidade e Perfil
E-mail: cineccbeu@gmail.com
Twitter da APJCC
Contato: (91) 88131891

8.11.10

"Eleição" é o segundo filme de ciclo dedicado a Johnnie To

Cine CCBEU apresenta:

"Eleição", de Johnnie To


 
"Um modelo exemplar de toda uma forma de se fazer cinema, este filme de Johnnie To é um dos objetos de vital interesse para se compreender não só o cinema de ação em Hong Kong – para isso é mais recomendável recorrer à uma quantidade mais ampla de obras, cada vez mais fáceis de se encontrar em território brasileiro –, mas também como uma obra que vira do avesso o gênero a que pertence, sem deixar de lhe fazer parte. Election se estrutura de forma básica, apostando inclusive numa narrativa muito pouco movimentada para os padrões dos policiais de HK, mostrando duas vertentes de uma das sociedades de crime organizado locais preparando terreno para a eleição interna, onde um novo líder para os próximos anos seria eleito. O impacto do resultado e os dois possíveis líderes que ali guerream colocam não só o grupo em confronto com si mesmo, mas também a policia sem saber exatamente a quem atacar; as duas facções correm atrás de um bastão que significa a força máxima dentro do grupo – e jamais se é posto em questão não se curvar diante dele."

Guilherme Martins 

(fonte: Contracampo)

Serviço:
11 de novembro (quinta)
às 18h30
Excepcionalmente no auditório do CCBEU - Tv Padre Eutíquio, 1309
ENTRADA FRANCA

Realização: APJCC e CCBEU
Apoio: Cineclube Amazonas Douro e Rede Norte de Cineclubes

Mais informações:
Comunidade e Perfil no Orkut
E-mail: cineccbeu@gmail.com
Twitter da APJCC
Contato: (91) 88131891

22.9.10

APJCC realiza Ciclo de exibição de obras do Cinema Oriental


Ananindeua ganha primeira sala para exibição de grandes obras que marcaram a história do cinema, sempre com entrada franca!
 
De olhos bem abertos em quem tem os olhos meio fechados, a Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC), em parceria com o Cine Argonautas, promove um ciclo de exibições com pérolas do cinema oriental. Essa ação inaugura uma jornada da Associação em prol da criação de um olhar mais atento à fantástica produção audiovisual do Oriente.

O Brasil é o país com maior número de japoneses, salvo o próprio Japão. Na Amazônia, muitos imigrantes, desde o Ciclo da Borracha, vieram para o Pará e passaram a fazer parte da realidade sociocultural desta terra – brasileiros, filhos de gente que veio do outro lado do mundo e que se adaptou harmoniosamente à nossa cultura.

Já que poucos de nós vamos poder ir até lá fazer o mesmo, a APJCC propõe que façamos esse contato através da arte, através dos mestres orientais que nos emprestaram seus olhos pelas lentes do cinema. O Ciclo Novos Orientes vai exibir cinco obras, entre eles dois longas da primorosa animação japonesa que merece toda a sensibilidade de quem reconhece a verdadeira arte quando ela se apresenta. Enquanto alguns críticos discutem se esta pode ser considerada Arte como o cinema, alguns gênios como Miyazaki mostram que ela pode ser até mais.

(Lionay Dias, Samir Raoni e Thiago Oliveira)

Programação

29/09 - Princesa Mononoke, de Hayao Miyazaki
06/10 - RAN, de Akira Kurosawa
13/10 - Dragão Chinês, de Lo Wei
20/10 - Sede de Sangue, de Chan-wook Park
27/10 - Túmulo dos Vagalumes, de Isao Takahata

Serviço:

Ciclo Novos Orientes
Data: 29 de setembro, 06, 13, 20 e 27 de outubro (quarta-feira)
Local: Sala de Exibição do Restaurante Popular de Ananindeua – Cidade Nova VI, WE 72 com Sn 22, em frente à Praça Dom Vicente Zico
Horário: 18h30


Confira a sessão Princesa Mononoke (aqui)

Ciclo Novos Orientes apresenta Princesa Mononoke, grande perola de Hayao Miyazaki


*“Uma princesa entre os lobos , um mergulho nos princípios da natureza”

Sinopse:

Ashitaka é o jovem guerreiro do clã Emishi que é amaldiçoado ao defender a sua aldeia de um demônio criado pela violência humana. Assim, viaja até a região controlada pelo clã Tatara na esperança de compreender a maldição que lhe fora posta, antes que esta o mate. O que Ashitaka vai encontrar é um conflito entre os humanos e os deuses da floresta. Apanhado no meio do conflito, Ashitaka conhece a Princesa Mononoke (san), criada por lobos e trava ferozes brigas para acabar com os humanos que ameaçam a floresta. Ashitaka coloca-se entre San e Lady Eboshi, a líder do clã Tatara, procurando um meio de terminar a guerra.


Sobre o filme
Em um épico sobre a tumultuosa relação do homem com a natureza, Miyazaki mostra como a animação tradicional japonesa, ao usar temas tão recorrentes como amor e ecologia, pode resultar em uma obra tão surpreendente. Com sua estética de sonho, ele pinta uma era de deuses ferais que, incapazes de defender a floresta da pólvora do homem, são consumidos por ódio e a vingança. Uma era onde o homem também perece entre guerras e pragas naturais, escolhendo domar a natureza para sobreviver. Sem maniqueísmos, Miyazaki combina política e fantasia, príncipes e deuses, em uma guerra que não distingue lados, uma guerra onde sangue e lágrimas são os espólios, uma guerra como todas as outras.

 

Lionay Dias


* * *

Serviço:


Cine Argonautas & APJCC apresentam: “Princesa Mononoke”, de Hayao Miyazaki

Data: 29 de setembro (quarta-feira)
Horário: 18h30
Local: Sala de Exibição do Restaurante Popular de Ananindeua (Cidade Nova VI, WE 72 com sn 22 - em frente a praça Dom Vincente Zico)
Entrada franca

Realização: APJCC e Cine Argonautas

Parceria: SEMMA, Cine CCBEU, Ponto de Cultura Ananin e Rede Norte de Cineclubes (RNC)
Comentários: Lionay Dias, Samir Raoni e Thiago Oliveira