Mostrando postagens com marcador Cinema paraense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema paraense. Mostrar todas as postagens

15.10.11

APJCC leva cinema paraense a Curitiba

A Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC) e a Cinemateca de Curitiba promovem nos dias 29 e 30 de outubro (sábado e domingo) uma ação arte-educativa de cunho cineclubista na capital paranaense O projeto de intercâmbio cultural visa à troca de olhares e experiências na fruição crítica de obras cinematográficas através da 2° Mostra APJCC de Cinema Paraense, na qual diversas produções amazônicas serão exibidas e debatidas.

Além de viabilizar o acesso democrático a um capítulo importante e ignorado do audiovisual artístico nacional, a atividade permite o aprofundamento crítico e reflexivo sobre as funções estéticas e políticas da prática cineclubista. O movimento cineclubista brasileiro é um dos mais expressivos dentro do contexto internacional, seja através das políticas públicas de incentivo e da histórica militância da crítica independente. Entretanto, o problema de comunicação e integração destas práticas é patente, espelho de uma “cultura nacional” centralizada, que desconhece a dimensão da cena no país. Pequenas iniciativas, como o intercâmbio firmado entre APJCC e a Cinemateca, mostram que a possibilidade de trocas de perspectivas é simples e imprescindível para o fortalecimento do cinema e do cineclubismo brasileiro.

2° Mostra APJCC de Cinema Paraense

Curadoria: Miguel Haoni e Cauby Monteiro (Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema)
Período: 29 e 30 de outubro (sábado e domingo)
Às 18 e 20 horas
Local: Cinemateca de Curitiba
Rua Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco
ENTRADA FRANCA

Informações: (41) 3321-3252 - (41) 3321-3270
Realização: APJCC e Cinemateca de Curitiba
Apoio: Centro Acadêmico Zé do Caixão

A mostra oferece, em três sessões, uma fatia do que de mais interessante se produziu no Estado do Pará nos últimos anos em matéria de cinema.


Programação:

Dia 29/10 (sábado)
18h: Palestra: Cinema e cineclubismo na Amazônia: desafios e perspectivas
20h: Exibição seguida de debate dos curtas:

1. “Açaí com Jabá”, de Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Walério Duarte (13 min)
Um duelo entre um paraense e um turista para ver quem consegue tomar mais açaí com jabá. Baseado nesse costume do homem da Amazônia.






2. “Puzzle, de Marcelo Marat (12 min.)
Vídeo baseado no livro de contos do ator, diretor de teatro e escritor Saulo Sisnando: "A idéia da adaptação veio de Brenda Oliveira, atriz de Conto de Sangue, outra produção da Abuso. No projeto original seriam feitos quatro vídeos, mas os inevitáveis problemas durante a produção iniciada em outubro de 2009) me fizeram mudar para um só, com inspiração óbvia nos filmes de David Lynch".

3. “Quero Ser Anjo”, de Marta Nassar: (14 min.)
O filme conta a história de desejo, traição e revolta, tendo como pano de fundo a procissão do Círio de Nazaré, em Belém do Pará, uma das maiores festas religiosas do Brasil e do mundo.

4. “Os Comparsas”, de Marcio Barradas (16 min.)
O cineasta alemão Fritz Lang apresentou, no conjunto de sua obra, uma idéia particular: em determinado momento a realidade sempre consegue ser pior que o pior dos pesadelos. Ele também dizia que num mundo sem Deus, a única forma de atingir o cognitivo das platéias era através da dor física. E esta era sempre resultado da violência.
Inspirado pelos mesmos princípios, o cineasta paraense Marcio Barradas destila este "Os Comparsas", mais novo capítulo de seu "Ciclo mosqueirense", também composto por "A Poeta da Praia", "O Mastro de São Caralho" e "O Filho de Xangô".
Adaptado da história em quadrinhos do alemão Matthias Schultheiss (que por sua vez é a releitura do conto "Os Assassinos" do também alemão Charles Bukowski), "Os Comparsas" encontra suas raízes germânicas ao compor sua plasticidade sobre o conflito luz x sombra, tão caro à vanguarda expressionista dos anos 20.
O protagonista Pedro, por exemplo (interpretado pelo econômico e expressivo Solano Costa), atua como um oficial reformado da República de Weimar. Apesar do deslocamento descompassado, nunca senta de costas para a porta, nem deixa uma dama acender o próprio cigarro em público.
A gratuidade da violência, um dos aspectos mais reais da condição humana, surge no filme como o cruzamento estéril do humor negro na arte exploitation e a vulgaridade das páginas policiais. Tudo alinhado sob o rigoroso olhar da câmera.
Os planos fixos e os cortes rápidos dão a sensação de correr com os olhos as amareladas folhas dos quadrinhos pulp, nos quais o filme se inspira.
Apesar do realizador conduzir praticamente sozinho todo o processo com uma criatividade gritada, o resultado é de um distanciamento claustrofóbico. "Os Comparsas" é um mergulho gelado no mar de sangue, um idílico passeio no inferno.
Na última parte do filme, desenrola-se um tour de force entre a selvageria do crime e a plácida indiferença da casa – esta, um dos principais personagens da narrativa. Aqui os inserts tão comuns no cinema de Barradas atingem um paroxismo quase eisensteiniano: cinema como resultado criativo do choque de imagens.
Marcio Barradas, neste "Os Comparsas", mais uma vez nos relembra o óbvio: na pequena ou grande produção, o cinema só existe quando dá forma a uma visão forte. Fugindo da tecnocracia e do acanhamento, Barradas ousa interessar-se pelo cinema. Por mais absurdo que isso seja.

5. “Matinta”, de Fernando Segtowick (20 min.)
Quem é daqui do mato, tem que ter muito cuidado com o encantado, quem quer ter paz na vida, não se mete com Matinta, mesmo na morte a bicha é perigosa, se responder o chamado dela não tem reza que dê jeito, tá com fardo de virar MATINTA.





Dia 30/10 (domingo):
18h - Exibição do longa “À Margem do Xingu- Vozes Não consideradas” de Damiá Puig (90 min.) seguido de debate.

Em viagem pelo rio Xingu encontramos inúmeras pessoas, moradores de toda uma vida, que serão atingidos pela possível construção da hidrelétrica de Belo Monte. Relatos de ribeirinhos, indígenas, agricultores, habitantes da região de Altamira na Amazônia, assim como especialistas da área compõem parte deste complexo quebra-cabeça. São reflexões sobre o passado obscuro deste polêmico projeto e que elucidam o futuro incerto da região e destas pessoas às margens do Xingu.


Documentário que trata do projeto de construção da Usina Hidroeletrica de Belo Monte que causará grande impacto ambiental destruindo locais de cultura ancestral indígena e dizimando povos tradicionais provocando um grande desequilibrio ambiental de proporções incalculáveis e irreparáveis.

20h - Exibição seguida de debate dos filmes:

1. “Kronos” de Rodolfo Mendonça (2 min.)
Kronos é o Deus-Titã que, assim como o tempo, devora os seus filhos.

2. “Brega S/A”, de Gustavo Godinho e Vlad Cunha (113 min.)
Gravado entre os anos de 2006 e 2009, o documentário Brega S/A fala sobre a cena tecnobrega de Belém do Pará. Feito por artistas pobres, gravado em estúdios de fundo de quintal e com relações profundas com a pirataria e a informalidade, o tecnobrega é a trilha sonora da periferia da cidade, uma espécie de adaptação digital da música romântica dos anos 70 e 80.
No filme, vemos qual a relação entre o tecnobrega e a popularização da tecnologia a partir do final da década de 90, bem como a maneira como esse estilo musical se associou à pirataria para criar uma rede de distribuição alternativa ao modelo proposto pelas grandes gravadoras.
Entre os principais personagens estão o MC de tecnobrega Marcos Maderito, o “Garoto Alucinado”; DJ Maluquinho, uma espécie de Iggy Pop brega da periferia de Belém; e os DJs Dinho, Ellysson e Juninho, ídolos das aparelhagens, enormes sistemas de som que realizam festas itinerantes pelos bairros mais pobres da cidade.

18.3.11

"Os Comparsas" estreia sábado em Mosqueiro

A Mairí Produções, em parceria com Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema e Cineclube Amazonas Douro, apresenta em primeira mão neste sábado (dia 19), às 20 horas, o filme "Os Comparsas" de Marcio Barradas, no Espaço Praia Bar (Praça Matriz em Mosqueiro). Na ocasião serão exibidos ainda os filmes "D. Juan" de Mateus Moura e "Coração Roxo" também de Marcio Barradas. A classificação indicativa é 18 anos e a entrada franca.

Sobre o filme:

O cineasta alemão Fritz Lang apresentou, no conjunto de sua obra, uma idéia particular: em determinado momento a realidade sempre consegue ser pior que o pior dos pesadelos. Ele também dizia que num mundo sem Deus, a única forma de atingir o cognitivo das platéias era através da dor física. E esta era sempre resultado da violência.

Inspirado pelos mesmos princípios, o cineasta paraense Marcio Barradas destila este "Os Comparsas", mais novo capítulo de seu "Ciclo mosqueirense", também composto por "A Poeta da Praia", "O Mastro de São Caralho" e "O Filho de Xangô".

Adaptado da história em quadrinhos do alemão Matthias Schultheiss (que por sua vez é a releitura do conto "Os Assassinos" do também alemão Charles Bukowski), "Os Comparsas" encontra suas raízes germânicas ao compor sua plasticidade sobre o conflito luz x sombra, tão caro à vanguarda expressionista dos anos 20.

O protagonista Pedro, por exemplo (interpretado pelo econômico e expressivo Solano Costa), atua como um oficial reformado da República de Weimar. Apesar do deslocamento descompassado, nunca senta de costas para a porta, nem deixa uma dama acender o próprio cigarro em público.

A gratuidade da violência, um dos aspectos mais reais da condição humana, surge no filme como o cruzamento estéril do humor negro na arte exploitation e a vulgaridade das páginas policiais. Tudo alinhado sob o rigoroso olhar da câmera.

Os planos fixos e os cortes rápidos dão a sensação de correr com os olhos as amareladas folhas dos quadrinhos pulp, nos quais o filme se inspira.

Apesar do realizador conduzir praticamente sozinho todo o processo com uma criatividade gritada, o resultado é de um distanciamento claustrofóbico. "Os Comparsas" é um mergulho gelado no mar de sangue, um idílico passeio no inferno.

Na última parte do filme, desenrola-se um tour de force entre a selvageria do crime e a plácida indiferença da casa - esta, um dos principais personagens da narrativa. Aqui os inserts tão comuns no cinema de Barradas atingem um paroxismo quase eisensteiniano: cinema como resultado criativo do choque de imagens.

Marcio Barradas, neste "Os Comparsas", mais uma vez nos relembra o óbvio: na pequena ou grande produção, o cinema só existe quando dá forma a uma visão forte. Fugindo da tecnocracia e do acanhamento, Barradas ousa interessar-se pelo cinema. Por mais absurdo que isso esteja.

Miguel Haoni (1984-2011)*

*O cineclubista tinha várias passagens pela Divisão de Atendimento ao Adolescente e pode ter sido morto por causa de dívida com traficantes, segundo a polícia, que já tem um suspeito do crime.
No local do homicídio, moradores silenciam com medo de represálias.

Serviço:

Exibição de "Os Comparsas", de Marcio Barradas, e dos curtas "Coração Roxo", de Marcio Barradas, e "D. Juan", de Mateus Moura.

Dia 19 de março (sábado)
às 20h
no Espaço Praia Bar, na Praça Matriz em Mosqueiro
Classificação indicativa: 18 anos
ENTRADA FRANCA

Realização: Maíri Produções, Cineclube Amazonas Douro e Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema
Informações: (91) 8356-1799

16.11.10

Os OVNIs de Colares no Inovacine

Inovacine/IPHAN apresenta
"Chupa-chupa: A história que veio do céu". Roger Elarrat e Adriano Barroso. 2007.




Chupa-chupa é a expressão atribuída, pelos moradores da ilha de Colares, no Pará, a Objetos Voadores Não Identificados que, em 1977, teriam feito aparições nos céus da cidade e até sugado o sangue de alguns colonos. O episódio chamou a atenção do poder público e das autoridades militares, que teriam montado a maior operação militar em torno de um evento ufológico que se tem notícia no Brasil. Chupa-Chupa: A História que veio do Céu reconta a história 30 anos depois, através do olhar e do imaginário dos colarenses, como a obra de Mestre Pacau, pescador e compositor de carimbó sobre o Chupa-chupa.


Serviço: 
17  de novembro (quarta)
às 18h30
No auditório do IPHAN (Travessa Rui Barbosa, esquina da Avenida Governador José Malcher)
ENTRADA FRANCA


Realização: INOVACINE
Apoio: IPHAN
Informações: (91) 8717-5666

6.9.10

Doc-ficção de Afonso Galindo é cartaz do Inovacine

Inovacine/IPHAN apresenta 

"O Negro no Pará - Cinco Décadas Depois", de Afonso Galindo


Doc-ficção sobre o processo de pesquisa de Vicente Salles (pesquisador) para publicação de sua importante obra “O Negro no Pará – Sob o Regime da Escravidão”. Com depoimentos de remanescentes do quilombo de Petimandeua (Castanhal -Pará), pesquisadoras e integrante do movimento Negro no Pará, em busca do percurso dessa investigação histórica. Conta também com o depoimento de Clea Simões, atriz paraense e membro da comunidade barbadiana.

Ficha técnica
Direção: Afonso Gallindo
Roteiro: Afonso Gallindo/Rose Silveira
Produção Executiva: Rose Silveira
Edição: Afonso Gallindo /André Mardock
Produção: Maria Christina
Fotografia: Marcelo Rodrigues
Mixagem Aúdio: Léo Bitar
Elenco: Dani Sá e Ronald Bergman (in memoriam)
Realização/Patrocínio: Instituto de Artes do Pará (IAP) / Projeto Raízes

Serviço: 

“O Negro no Pará - Cinco Décadas Depois”, de Afonso Galindo
Dia 08 de setembro (quarta-feira)
Às 18h30
No auditório do IPHAN - Tv Rui Barbosa, esquina da Avenida Governador José Malcher. 
Realização: INOVACINE. 
Apoio: IPHAN. 
Informações: (91) 8813-1891 
ENTRADA FRANCA

10.8.10

Inovacine/ Iphan apresenta "Cabanos", de Sebastião Pereira


Primeiro longa metragem de ficção realizado no Pará desde Líbero Luxardo, o filme “Cabanos” estará no cineclube INOVACINE nesta quarta-feira, 11. Baseado na revolução Cabana, o filme resulta do Projeto Cinescola. O realizador (e professor de História) Sebastião Pereira estará presente na sessão. Ele vai dialogar com o público sobre esta produção que tem no elenco e na técnica cerca de 70 alunos da Escola Estadual de Ensino  Médio e Fundamental Temístocles Araújo, Marambaia, Belém do Pará.

A partir de uma família de ribeirinhos, “Cabanos” revela de forma poética a única experiência revolucionária na qual o povo tomou o poder no país, a cabanagem, ocorrida na província do Grão-Pará, em 1835. Com cenas rodas na ilha de Mosqueiro, Abaetetuba, Cametá, e Belém, o filme pode Ser enquadrado na corrente estética do cinema pobre, que tem origem em Cuba (Humberto Solas) e se ramifica em países como EUA, México, Cabo Verde, Brasil, assumindo em cada um destes locais, características particulares fundadas nos mesmos princípios, quais sejam os de - sem economia da original inteligência artística, realizar filmes (de baixo orçamento) com temáticas sociais. 

Quando um cineasta se dispõe a revisar um fato histórico numa perspectiva artística, ele tem consciência do óbvio, ou seja: realidade e ficção são duas substâncias heterogêneas que podem ser por ele misturadas na alquimia das imagens fotográficas, as quais, justapostas, dão-nos a ilusão do movimento. E foi isso que Sebastião Pereira fez sem a menor pretensão de ser um realizador (profissional) de cinema. Ele mostrou como é possível fazer um bom filme; sem dinheiro; sem economia (de esforços); com jovens (cerca de 70 alunos) - sem (nenhuma) experiência artística; e sem nenhum apoio institucional e empresarial.

O grande poeta-realizador soviético Andrei Tarkovsky dizia que o cinema é uma arte triste porque depende do dinheiro para sobreviver, entretanto, Sebastião Pereira conseguiu provar o contrário na Amazônia-Paraoara: o cinema transcende aos interesses econômicos e afirma uma consciência, histórica. Seus atores-jovens desempenham personagens (mais) maduros – e (no filme) adultos (ribeirinhos) dialogam com as crianças, com uma responsabilidade didática absoluta. A produção, que se esmerou em constituir figurinos de época, expõe a nu tanto a pobreza dos ribeirinhos quanto a própria pobreza ainda não assumida pelo cinema amazônida.

E a câmera (a câmera!), operada pelo nosso professor-realizador tem o compasso da batida do seu coração, com panorâmicas, travellings, e planos-sequências que delimitam a lógica linear da montagem, também entrecortada por uma narração que nos explica porque a cabanagem sucumbiu no interior do seu processo revolucionário, talvez – ouvi dizer - sem um projeto político definido.

A câmera de Sebastião Pereira é orgânica, traduz a pureza do homem ribeirinho, ou seja, o olhar de maresia à natureza a sua volta e também aos amigos (com os quais dialoga). É possível perceber que este olhar (subjetivo) tanto pode se fixar em um ponto quanto pode também titubear, retornar ao ponto inicial e de seguida procurar um outro ponto – e (de forma lancinante) intensificar e favorecer algumas ações (em espaços diversos) além do horizonte, mas não em uma paisagem em si, ao contrário, em “passagens” - de uma condição, subumana, para outra, nobre.

O professor-realizador-diretor-de-fotografia-produtor-operador-de-câmera Sebastião Pereira é intenso no que faz. Os diálogos, quase todos em som direto, os ruídos,  intermitentes, os diálogos das personagens, tradutores das nossas velhas angústias revolucionárias. Os sons da mata, as canções, os poemas, elementos sinestésicos, combinados, plano a plano, quadro a quadro, impactam o inconsciente de forma a virar-lhe pelo avesso.

SERVIÇO – “Cabanos”, de Sebastião Pereira, quarta-feira, dia 11 de agosto, 18:30H, no auditório do IPHAN, Travessa Rui Barbosa, esquina da Avenida Governador José Malcher. Realização: INOVACINE. Apoio: IPHAN.

8.8.10

Testemunho sobre a Mostra Novo Cinema Paraense*

Por Mateus Moura

Não existe “cinema paraense”, mas cineastas que residem no Pará, e fazem cinema.

“Chega de igreja!”, bradou Priscila Brasil. Marcelo Marat concordou.
Vivenciei nesses últimos 3 dias o que denominei de “a maior fagulha de clareza coletiva de cineclubismo desse ano”. Da polêmica que antecedeu o evento sobrou apenas a batalha saudável de idéias. Foi quem queria realmente contribuir para a discussão. Natural e harmoniosamente, conclusões coletivas restaram lado a lado às discordâncias individuais. O que prevaleceu não foi nem a discussão sobre o “novo”, nem sobre o “paraense”, mas sobre o CINEMA.

“Não existe o cinema paraense”, disparou Nilson Bala. E nessa hora senti uma pontada na nuca, me lamentando termos perdido nome tão interessante para a Mostra. Entretanto, o nosso título não perdeu a realeza de seu significado profundo: o “Novo Cinema Paraense” seria sobre os últimos filmes aqui produzidos, mas, sobretudo, sobre uma nova consciência acerca desse tal cinema, construída através da discussão. Enquanto o filme trabalha o inconsciente coletivo, o cineclube trabalha com o consciente coletivo. É o apagar e o acender das luzes. O “Novo Cinema Paraense”, logo, não se configura numa tentativa de rotulação, mas de provocação.

“Espaço democrático horizontal expressivo intelectual”, nunca esses pleonasmos todos fizeram tanto sentido. Todos estavam à vontade: espectador, cineasta, crítico, produtor, ator, cineclubista, claquetista, filme. Ao invés da busca de uma identidade regional forçada e demagógica, tudo foi espontaneamente analisado através da sede de conhecer profundamente os objetos. Concluímos que é inegável a excelência cine-criativa de Marcelo Marat, Priscila Brasil, Márcio Barradas... A crítica – decidiu-se – deve ser sempre construtiva. O artista – vislumbrou-se – sempre livre.

O artista é o que não tem medo de errar. Se errar é humano e perdoar é divino, que Deus nos perdoe por sermos errantes. “Viver é perigoso, e é preciso ter coragem”, disse Rosa. Encarar a frio e sem desassossegos grandes as coisas todas que balbuciamos sobre é a grande sabedoria dos diálogos à luz da razão. Não é nada demais a arte, a crítica, a contemplação estética, a denúncia social; não é nada mais do que só tudo isso. O que aprendo no contato com o outro é essa troca, esse quinhão de conhecimento solidário.
Logicamente, esse não é um texto definitivo sobre o que aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de agosto de 2010 no auditório do IPHAN. Menos ainda o texto oficial da avaliação do INOVACINE sobre a Mostra.

Não é nada mais que um testemunho pessoal.

*publicado originalmente em Cinemateus

30.7.10

Mostra Novo Cinema Paraense estreia o cineclube Inovacine/IPHAN



A última década foi testemunha de um radical florescimento da produção audiovisual no Estado do Pará - mais notadamente na sua capital Belém. Através da ficção e da não-ficção, diversos artistas conseguiram dar forma a suas perspectivas sobre os fenômenos locais transcendendo as amarras do regionalismo exótico em busca da universalidade inerente à linguagem cinematográfica.

Em maior ou menor nível, todo realizador paraense é essencialmente um guerreiro. A luta por condições de produção e distribuição transforma cada processo/filme num trabalho hercúleo de resistência e paixão. Obviamente, isso significaria muito pouco se na base das obras não houvesse a sensibilidade estética e a inventividade necessárias para a constituição de um Cinema Paraense maiúsculo, livre da muleta da indulgência histérica regionalista.

Existe um cinema paraense? Qual a relevância deste movimento para a arte cinematográfica nacional e mundial? De que maneira tais obras representam os anseios poéticos dos amazônidas em pleno século XXI? Tais reflexões estão na base da "Mostra do Novo Cinema Paraense", uma realização do INOVACINE em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) e com 9 dos melhores realizadores locais que, em 3 dias, exibirão suas obras e discutirão com o público os principios artísticos e éticos que regem seus trabalhos.

Quem quiser venha ver, ouvir, pensar e discutir. A mostra acontece nos dias 4, 5 e 6 de agosto no Auditório do IPHAN (Av. Governador José Malcher, 563 - Nazaré) a partir das 18h30 com entrada e conversa franca.

Miguel Haoni (APJCC - 2010)




Após um semestre de itinerância por 6 cidades do Estado do Pará (Santarém, Soure, Bragança, Marabá e Altamira) e diversas ações pontuais na capital Belém , o projeto INOVACINE retoma sua ação cineclubista regular, agora em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A partir de agosto, o cineclube funcionará quinzenalmente às quartas-feiras, às 18h30, no Auditório do IPHAN (Av. Governador José Malcher, 563) e continuará o projeto de reflexão e debate sobre o cinema documental, o cinema brasileiro e o cinema paraense - sempre contando com a colaboração dos realizadores locais.

O Inovacine - uma parceria entre Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA) e Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC) - abre sua programação com a mostra especial "Novo Cinema Paraense" nos dias 4, 5 e 6 de agosto (quarta a sexta) sempre com entrada franca.


Acompanhe a programação:

04/08 (quarta):

I)"Puzzle" de Marcelo Marat
II)"Invisiveis prazeres cotidianos" de Jorane Castro
III)"Salvaterra - Terra de Negro" de Priscila Brasil

05/08 (quinta):

I) "Semiótica-nossa-de-cada-dia" de Darcel Andrade
II) "Mãos de Outubro" de Vitor Souza Lima
III)"A Poeta da Praia" de Márcio Barradas

06/08 (sexta):

I) "Dias" de Fernando Segtowick
II)"Contracorrente" de Francisco Weyl
III)"A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados" de Luiz Arnaldo Campos

* * *

Serviço:

Mostra do Novo Cinema Paraense
Dias 4, 5 e 6 de agosto (quarta, quinta e sexta)
Sessões às 18h30 (seguidas de debates com os realizadores)
no IPHAN (Av. Governador José Malcher, 563 - Nazaré)
ENTRADA FRANCA

Realização: Inovacine
Parceria: IPHAN
Informações: (91) 8813-1891

29.10.09

Projeção de filmes na praça Tancredo Neves

Caligari; Necronomicon; A cela. Estes 3 filmes do escritor, roteirista e produtor cultural Marcelo Marat serão projetados como parte da programação do evento Uma noite dedicada aos vivos (saiba mais no post anterior) no dia 2 de novembro, dia de finados, na praça Tancredo Neves.


A projeção acontece no âmbito do projeto TELA DE RUA, coordenado pelo Movimento Cultural da Marambaia (MOULMA), com apoio do Cineclube Amazonas Douro e da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC).


Veja, abaixo, algumas informações sobre os filmes.

Caligari: Baseado no clássico do Expressionismo Alemão “O Gabinete do Dr. Caligari”, de Robert Wiene. Direção: Marcelo Marat. Produção: Abuso Produções. 6 minutos.


Necronomicon: A vida eterna pode ser apenas o início de uma angústia eterna. Baseado na obra de H. P. Lovecraft e Sammis Reachers. Direção: Marcelo Marat. Produção: Abuso Produções. 15 minutos.


A Cela: Uma reinterpretação do mito da caverna de Platão. Adaptação do conto de Saulo Sisnando. Direção: Marcelo Marat. Produção: Antifilmes Produções. 6 minutos.


* * *


Sobre o diretor:

Marat por Marat

"Entre os videastas e cineastas independentes, existe uma corrente que , de forma deliberada, trabalha no chamado gênero trash: filmes de horror ou fantasia, de baixo orçamento, com atores e cenários improvisados, geralmente apelando para muito sangue, tripas e nudez.


Muita gente confunde meus vídeos experimentais com esse gênero, mas a comparação nada tem a ver. De forma geral, meus vídeos são exatamente isso: experimentais. Quando trabalho num gênero, como o terror, horror ou suspense, minha intenção é mesmo assustar o espectador, e não apenas causar nojo ou fazer rir.


O trash, em geral, é engraçado. Diverte, mas não assusta. Não provoca o medo. Para chegar a isso, é preciso exercitar estética e estilo, trabalhar a narrativa, a edição, som e imagens; buscar, apesar dos poucos recursos técnicos, o melhor efeito para obter o melhor resultado. O bizarro e o grotesco são incidentais. Não é pelos sentidos que quero fisgar o espectador, é pela psique. O trash é todo sensorial. Meus vídeos são mais psicológicos. É na mente que quero causar seu pesadelo, nesse limite indefinido entre consciência e inconsciência. Assustar o espectador é o que quero, não diverti-lo.


E você, do que você tem medo?"

Fonte: Blog "Ecos do Nada"

Programação traz exibição de filmes, leitura de poemas e debate o cinema na Amazônia

Uma noite dedicada aos vivos


O dia dos finados não é apenas o dia dos mortos. É também o dia dos que se recusam a se deixar morrer/matar. É dia de resistência. É dia de guerrilha. Guerrilha cultural. Para ocupar os espaços abertos pelas sombras de uma cidade desacordada, onde estranhas criaturas, mortas-vivas, vagam, sonâmbulas/sorumbáticas, silenciosas, em pânico.


O dia dos finados é o dia dos gritos. Dos grunhidos. Dos sussurros. Dos uivos.

O dia dos finados é para quem se quer manter acordado. Para despertar as pessoas de seu eterno sono profundo. É dia de pesadelos. Dia de entrar nas trevas e vê-las como elas são. Dia de olhar a vida como ela. Há que ver as coisas como coisas e seres como seres, filosofais, trágicos, além de seus dramas pessoais.


O dia dos finados é um dia épico. Dia de poetas. Um dia que trans/ins-pira poesia. Dia de símbolos/imagens que se espraiam como a noite na mansão dos mortos. Porque os mortos estão vivos, mais vivos que os vivos que ainda vivem a vida como mortos.


O dia dos finados invoca tanto mortos quanto vivos.

E se teus olhos insistem em ficar abertos, se nãos dormes não por teres insônia mas por ficares permanentemente de vigília, vem ter conosco uma noite inesquecível.


Poetas, músicos, artistas, camelôs, feirantes, jovens, estudantes, professores, aposentados, donas de casa, todos e tantos outros excluídos esperam por ti.


Dia dos finados, uma noite dedicada aos vivos.

Texto: Francisco Weyl

Programa

Dia 2 de novembro de 2009 - 20 horas

Praça Tancredo Neves - Marambaia

Projeção dos filmes: Caligari / Necronomicon / A cela - de Marcelo Marat

Leitura de poemas – antes, durante e depois da projeção - com os poetas Caeté, Marcelo Sebastian, Carlos Pará, Francisco Weyl, Clei de Souza, Cuité, Buscapé Blues,  além de leituras de trechos de Baudelaire e Lautreamont.


Debate sobre A morte do cinema na Amazônia

Realização

Movimento Cultural da Marambaia - MOCULMA

Apoio

Cineclube Amazonas Douro

Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC)