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12.7.10

JOPACINE convoca cineclubistas do Pará


De 23 a 25 de julho, Belém recebe a I Jornada Paraense de Cineclubes (JOPACINE), evento que promoverá o encontro dos Cineclubes do Estado do Pará. A proposta é discutir políticas públicas de incentivo aos cineclubes e estratégias de desenvolvimento da atividade cineclubista no estado.


A JOPACINE é convocada por trinta e três (33) organizações cineclubistas reunidas nos "II DIÁ-logos Cineclubistas - Construindo a Jornada Paraense de Cineclubes", evento realizado no último dia 15 de maio, no Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social. Sem orçamento e ao mesmo tempo sem economia de esforços, o evento vem sendo estruturado em rede, de forma colaborativa, com os seus passos sendo permanentemente publicitados de forma a que a sociedade possa acompanhá-los.


Estão convidadas a participar da programação todas as organizações cineclubistas atuantes no Estado do Pará, filiadas ou não ao Conselho Nacional de Cineclubes (CNC), assim como os representantes de instituições públicas e particulares, entidades da sociedade civil e outras nas quais sejam desenvolvidas atividades de caráter cineclubista.


Os interessados devem apresentar documentos que comprovem o caráter democrático da entidade ou grupo informal; o compromisso cultural e ético da organização; o plano de desenvolvimento de ações cineclubistas e, quando for o caso, relatório de atividades. As inscrições podem ser feitas até a véspera do evento, 22 de julho.


Para mais informações, acesse os links abaixo.

24.2.10

Profissão : Cineclubista



Acabamos de exibir Luzes da cidade para mais de 30 crianças na periferia de Santarém. O equipamento - que pertence à Fapespa e ao saudoso Chico Weyl - é garantia de botar sessão onde a gente quiser (a APJCC ainda sonha com essa autonomia - e acreditamos que não está longe).

A obra-prima de Charlie Chaplin não estava na programação. Estava programado "A grande ilusão" de Jean Renoir. Pro obra do destino, e da incomunicabilidade, o espaço foi avisado que a sessão seria infantil. Enquanto "montamos o circo" discutimos: e então, passar ou não passar o filme do francês? No fim, coincidentemente, um plano B surgiu no meu porta-dvd: Charles Chaplin... Renoir sem dúvida aprovaria a substituição, e se sentaria feliz no meio da criançada.

Nenhuma das presentes tinha ido ao cinema, só tinham visto filmes na tv. Mudo, preto e branco, várias novidades. A maioria tão nova que não tinha iniciado o bê-a-bá, eu fiquei na condição de leitor dos poucos letreiros do filme.

Risadas, atenção, maravilhamento... foi um sonho. No fim, a tentativa de conversa... lona! Como eu tinha imaginado, esse é o último nível do aprendizado, a didática com o público infantil é só pra samurai faixa vermelha mesmo. Um dia a gente chega lá.

O filme não foi discutido ou analisado. As crianças só se manifestaram - com um gesto, como Carlitos ensinou - para responder a uma pergunta: "- Vocês querem mais? Queriam ver mais cinema, mais filmes como esse?". A resposta foi o bom e velho "ok".

Texto: Mateus Moura (APJCC - 2010)

Imagens: Miguel Haoni (APJCC - 2010)


1.11.09

Carta aberta aos responsáveis pela projeção digital no Brasil

A presença da projeção digital nos festivais e mostras de cinema no Brasil, para não dizer no circuito comercial, é algo cada vez maior e, aparentemente, inevitável. Se há, é fato, algumas projeções bastante dignas realizadas nesse formato, é fato também que a enorme maioria dessas projeções costuma atentar contra a integridade da obra exibida, deformando muitas vezes janelas, cores, texturas e sons. Nesta última edição do Festival do Rio, entretanto, a qualidade de tais projeções atingiu um nível intolerável, o que gerou uma enorme repercussão entre críticos, cinéfilos e o público não-especializado que frequentou o evento. A partir desse incômodo, os membro do Fórum da Crítica - entidada que congrega críticos de cinema de todo o país e do qual faz parte a Cinética - redigiu a carta abaixo, como forma de protesto e chamamento à ação e responsabilidade por parte daqueles envolvidos na projeção digital no país.


Se estiverem de acordo com o exposto na carta abaixo, convidamos nossos leitores a se juntarem a nós no abaixo assinado criado para tal, além de exigirem seus direitos junto aos distribuidores e exibidores sempre que se sentirem lesados por tais projeções.


***


A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.


O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.


A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.


Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les Herbes Folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se "A Santa Ceia", de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.


Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.


Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.


A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.


Fonte:

http://www.revistacinetica.com.br/projecaodigital.htm