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1.11.13
Novembro no Super8
1.4.13
[SESSÃO CANCELADA] Sessão Maldita apresenta "O último golpe", de Michael Cimino
[A seguinte sessão foi cancelada devido a problemas técnicos. Agradecemos a compreensão do público e pedimos que aguardem nova data.]
Michael Cimino: gênio e monstro da Nova Hollywood
Um totem derretido, uma nódoa conspurcada e nociva, um monstro que enterrou a si mesmo, um homem com uma crença profunda nas imagens. Antes de arrebatar os meandros do cinema com o dilacerante “O Franco Atirador” e fazer com que a poderosa United Artists fosse à falência em função dos problemas que envolveram o épico e maldito “O Portal do Paraíso”, o diretor Michael Cimino estreou atrás das câmeras com uma das obras mais pulsantes da história do cinema: “O Último Golpe”, de 1974.
Ainda inédito no mercado brasileiro, “O Último Golpe” possui, dentro de sua vigorosa direção, um enredo simples. Um ladrão profissional, “Thunderbolt”, vivido por Clint Eastwood, une-se ao aventureiro “Lightfoot” (Jeff Bridges) e seus parceiros para armar um assalto. Vários ingredientes acompanham a narrativa desconexa: salto de cortes, interlúdios cômicos, roadmovie, thriller, um pistoleiro que se diz padre, mulheres nuas invadindo a toda hora o enquadramento, o cheiro da violência, a sensibilidade escorrendo dos planos. O painel americano povoado por seres estranhos e sonhadores. É sobre a destruição das relações que Cimino opera. A conexão sensível de dois homens que se encontram por acaso.
O gigante Clint Eastwood, co-roteirista do filme, aparece em uma de suas performances mais relaxadas e agradáveis. Cimino cria o sentido do espetáculo cinematográfico no conceito que estabelece em seu soberbo controle sobre o que tateia na tela, filma, e na relação entre os personagens e o espaço. Visualmente, um dos grandes delírios que o cinema da década de 70 carrega. Não existe pior maldição para um artista ver que sua obra não chegou ao olhar do público. Dentro da Nova Hollywood* Cimino obteve sua arma, o poder de sua câmera e o atrevimento nos temas. No caso de “O Último Golpe”, os olhos calam diante de tamanha devastação, resultado da devoção de um homem que soube se ajoelhar perante sua arte.
Sobre a Nova Hollywood
No inicio dos anos 70, Hollywood passava por uma grave crise financeira. A maioria dos grandes estúdios via sua autonomia descer pelo bueiro; muitas salas de exibição transformaram-se em estacionamentos e supermercados, outras instalações eram alugadas à televisão, uma das opções que os chefões enxergavam para tentar frear o desespero financeiro.
Paralelamente, o quadro político americano contraía feridas que marcariam profundamente seu povo. É nesse contexto que nasce a chamada ‘Nova Hollywood’: cineastas que marcariam suas obras com uma estética furiosa, deixando nas telas o caráter angustiante por qual o país passava. Munidos com um arsenal interminável, os senhores da nova onda americana levaram temas fortes às telas. Para alguns, foi o nascimento das trevas, para outros, o começo da liberdade.
Obras amplificaram os problemas políticos e morais; as drogas em “Operação França”, 1971, de William Friedkin; corrupção da polícia em “Serpico”, 1973, de Sidney Lumet; a miséria e violência em “Caminhos Perigosos”, 1973, e “Taxi Driver”, 1978, ambos de Martin Scorsese; o poder da máfia em “O Poderoso Chefão”, 1972, de Francis Ford Coppola; o impacto da guerra no Vietnã é visto no épico “O Franco-Atirador”, 1978, filme do genial Michael Cimino.
(Aerton Martins - APJCC 2013)
Serviço:
Sexta-feira, dia 05 de Abril
Excepcionalmente, às 21h30, no Cine Líbero Luxardo
(Centur-Avenida Gentil Bittencourt, 650-Nazaré)
ENTRADA FRANCA
Realização: Cine Líbero Luxardo
Curadoria: Aerton Martins
Apoio: APJCC
4.12.10
Cine CASA apresenta "O Ano do Dragão", de Michael Cimino
Sinopse:
Em o Ano do Dragão, 1985, o diretor não expõe apenas o mero caminho de um filme policial, ele arquiteta uma jornada poética da degradação humana. Mickey Rourke interpreta Frank White, um personagem brutal que carrega em seu distintivo racismo, egoísmo, violência, rispidez , arrogância e que chega na Chinatown novaiorquina para combater as “tríades”, organizações que dominavam o crime. Nos minutos inicias da obra, testemunhamos o assassinato de um dos chefes. O diretor marca seu território fílmico, cortes brutais, um balé cínico de corpos em uma composição confusa e serena. É neste terreno que a obsessão do protagonista vai ganhando força, não existem limites em sua busca, não existem regras, à medida que a investigação avança, seu corpo vai apodrecendo – assertiva confirmada em uma das mais assustadoras cenas que o cinema já viu; quando White entra desesperado em um carro em chamas para retirar o cadáver do assassino de sua esposa. A cena da perseguição em uma boate, o duelo final e a morte do estagiário, refletem a pureza cinematográfica do diretor. Michael Cimino, tal qual o detetive White, desafiou a si mesmo, fez parte deste nebuloso e lírico recorte da sétima-arte. Deixa em o “Ano do Dragão” o que talvez a Nova Hollywood procurou cravar em seus filmes; a beleza da consciência suja.
Sobre a Nova Hollywood
No inicio dos anos 70, Hollywood passava por uma grave crise financeira. A maioria dos grandes estúdios viam sua autonomia descer pelo bueiro; muitas salas de exibição transformaram-se em estacionamentos e supermercados, outras instalações eram alugadas à televisão, uma das opções que os chefões enxergavam para tentar frear o desespero financeiro. Paralelamente, o quadro político americano contraía feridas que marcariam profundamente seu povo. É nesse contexto que nasce a chamada ‘Nova Hollywood’; cineastas que marcariam suas obras com uma estética furiosa o caráter angustiado por qual o país passava. Munidos com um arsenal interminável, os senhores da nova onda americana levaram temas fortes às telas, para alguns o nascimento das trevas, para outros o começo da liberdade. Obras amplificaram os problemas políticos e morais; as drogas em Operação França, 1971, de William Fridklien; corrupção da policia em Serpico, 1973, de Sidney Lumet; a miséria e violência em Caminhos Perigosos,1973, e Táxi Driver, 1978, ambos de Martin Scorsese; o poder da máfia em o Poderoso Chefão,1972, de Francis Ford Coppola; o impacto da guerra no Vietnã é visto no épico O Franco-Atirador, 1978, filme do genial e subestimado Michael Cimino.
(Aerton Martins - APJCC 2010)
Serviço:
Dia 11 de dezembro (sábado)
às 18h30
no Centro de Articulação Social e Apoio da Juventude - Av. Gentil Bittencourt, 694, ao lado do Centur
Entrada franca!
Realização: APJCC e Centro de Articulação Social e Apoio da Juventude
Parceria: Rede Norte de Cineclubes
Em o Ano do Dragão, 1985, o diretor não expõe apenas o mero caminho de um filme policial, ele arquiteta uma jornada poética da degradação humana. Mickey Rourke interpreta Frank White, um personagem brutal que carrega em seu distintivo racismo, egoísmo, violência, rispidez , arrogância e que chega na Chinatown novaiorquina para combater as “tríades”, organizações que dominavam o crime. Nos minutos inicias da obra, testemunhamos o assassinato de um dos chefes. O diretor marca seu território fílmico, cortes brutais, um balé cínico de corpos em uma composição confusa e serena. É neste terreno que a obsessão do protagonista vai ganhando força, não existem limites em sua busca, não existem regras, à medida que a investigação avança, seu corpo vai apodrecendo – assertiva confirmada em uma das mais assustadoras cenas que o cinema já viu; quando White entra desesperado em um carro em chamas para retirar o cadáver do assassino de sua esposa. A cena da perseguição em uma boate, o duelo final e a morte do estagiário, refletem a pureza cinematográfica do diretor. Michael Cimino, tal qual o detetive White, desafiou a si mesmo, fez parte deste nebuloso e lírico recorte da sétima-arte. Deixa em o “Ano do Dragão” o que talvez a Nova Hollywood procurou cravar em seus filmes; a beleza da consciência suja.
Sobre a Nova Hollywood
No inicio dos anos 70, Hollywood passava por uma grave crise financeira. A maioria dos grandes estúdios viam sua autonomia descer pelo bueiro; muitas salas de exibição transformaram-se em estacionamentos e supermercados, outras instalações eram alugadas à televisão, uma das opções que os chefões enxergavam para tentar frear o desespero financeiro. Paralelamente, o quadro político americano contraía feridas que marcariam profundamente seu povo. É nesse contexto que nasce a chamada ‘Nova Hollywood’; cineastas que marcariam suas obras com uma estética furiosa o caráter angustiado por qual o país passava. Munidos com um arsenal interminável, os senhores da nova onda americana levaram temas fortes às telas, para alguns o nascimento das trevas, para outros o começo da liberdade. Obras amplificaram os problemas políticos e morais; as drogas em Operação França, 1971, de William Fridklien; corrupção da policia em Serpico, 1973, de Sidney Lumet; a miséria e violência em Caminhos Perigosos,1973, e Táxi Driver, 1978, ambos de Martin Scorsese; o poder da máfia em o Poderoso Chefão,1972, de Francis Ford Coppola; o impacto da guerra no Vietnã é visto no épico O Franco-Atirador, 1978, filme do genial e subestimado Michael Cimino.
(Aerton Martins - APJCC 2010)
Serviço:
Dia 11 de dezembro (sábado)
às 18h30
no Centro de Articulação Social e Apoio da Juventude - Av. Gentil Bittencourt, 694, ao lado do Centur
Entrada franca!
Realização: APJCC e Centro de Articulação Social e Apoio da Juventude
Parceria: Rede Norte de Cineclubes
28.7.10
O Ano do Dragão - Campo de Emoções*
Por Aerton Martins (APJCC - 2010)
A melhor coisa que o diretor Oliver Stone fez em sua carreira foi co-assinar o roteiro de “O Ano do Dragão”, filme do genial cineasta Michael Cimino. O cineasta lutou no front com outros jovens, na chamada Nova Hollywood. Ver as personagens de Cimino em seu quadro vibrante e “bizarro” é sentir o perfume selvagem da arte. Quando Cecil B DeMille se instalou em Hollywood lá atrás, ele não imaginaria que mais tarde jovens amalucados empunhariam o cinema com tanto ardor. Michael Cimino foi um desses malucos, um rapaz que sabia o que estava fazendo. Cimino queria esfregar na cara do espectador que cinema é arte de captar com verdade o sofrimento, o vazio, o amor. Fazer cinema é modular o quadro com imagens impregnadas de vida. Em “O Ano do Dragão”, de 1985, sentimos esse frenesi de corpos, de imagens latentes, um balé imagético preciso e encorpado, talvez o último suspiro do que foi a Nova Hollywood estava na alma de Cimino. A obra-prima “O Ano do Dragão” exibe uma lealdade que poucos realizadores conseguiram alcançar. Michael Cimino é a resposta que a sétima-arte queria, um cineasta que seduz, que conseguiu extrair de uma fria máquina de captar movimentos um belíssimo e sólido campo de emoções.
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