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27.12.09

Melhores de 2009

Chega a última semana de 2009 e, com ela, a hora das esperadas (por uns) e temidas (por outros) listas de melhores do ano. A APJCC apresenta a sua seleção dos dez melhores filmes que passaram pelas telas de Belém nos últimos 365 dias.

Em 2009, optamos por divulgar uma lista única que represente a opinião da Associação. Entretanto, as listas individuais elaboradas pelos críticos da APJCC  continuam sendo disponibilizadas logo abaixo da seleção coletiva.

A APJCC agradece a todos que prestigiaram nossas ações cineclubistas no ano de 2009 e deseja um 2010 com muito mais cinema!

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MENÇÕES ESPECIAIS:


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LISTAS INDIVIDUAIS:


Aerton Martins


1-Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
2-Amantes, de James Gray
3-Inimigos Públicos, de Michael Mann
4- Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes
5-A Troca, de Clint Eastwood
6-Gran Torino, de Clint Eastwood
7-Watchmen, de Zack Snyder
8- Star Trek, de J.J Abrams
9-O Lutador, de Darren Aronofsky
10- Moscou, de Eduardo Coutinho

Cauby Monteiro

1-Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
2-Amantes, de James Gray
3-Inimigos Públicos, de Michael Mann
4-A Troca, de Clint Eastwood
5-Up, de Pete Docter
6-Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes
7-Gran Torino, de Clint Eastwood
8-Alexandra, de Aleksandr Sokurov
9-Watchmen, de Zack Snyder
10-Te Amarei Para Sempre, de Robert Schwentke

Fábia Martins

1 - Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
2 - Inimigos Públicos, de Michael Mann
3 - Amantes, de James Gray
4 - A Troca, de Clint Eastwood
5 - Gran Torino, de Clint Eastwood
6 - Watchmen, de Zack Snyder
Sessão Maldita: Bunny Lake is Missing
Animação: UP

Felipe Cruz

1 - Inimigos Públicos, de Michael Mann
2 - Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino/ Amantes, de James Gray
3 - Gran Torino, de Clint Eastwood
4 - Moscou, de Eduardo Coutinho
5 - A Troca, de Clint Eastwood
6 - Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes
7 - Anti-Cristo, de Lars von Trier
Animação: UP

Mateus Moura

1 -Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino/ Amantes, de James Gray/ Inimigos Públicos, de Michael Mann
2 - Gran Torino, de Clint Eastwood/ A Troca, de Clint Eastwood
3 - Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes
4 - Inútil, de Jia Zhang-ke
5 - Moscou, de Eduardo Coutinho
6 - O Mastro de São Caralho, de Márcio Barradas
7 - Brega S/A, de Gustavo Godinho e Wlad Cunha
Animação: UP

Miguel Haoni

1 - Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
2 - Inimigos Públicos, de Michael Mann/ Gran Torino, de Clint Eastwood
3 - Amantes, de James Gray
4 - Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes
5 - O Mastro de São Caralho, de Márcio Barradas
Melhor filme exibido no circuito alternativo em Belém: Duas Garotas Românticas, de Jacques Demy

Rodrigo Cruz

1 - Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
2 - Inimigos Públicos, de Michael Mann
3 - Amantes, de James Gray
4 - A Troca, de Clint Eastwood
5 - Gran Torino, de Clint Eastwood
6 - Alexandra, de Aleksandr Soukurov
7 - Garapa, de José Padilha
8 - Brega S/A, de Gustavo Godinho e Wladmir Cunha
Animação: UP
Circuito alternativo/ cineclubes: Bunny Lake is Missing

26.10.09

Cinema de verdade

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Rodrigo Cruz (APJCC-2009)


Já ouvi um monte de bobagens sobre “Bastardos Inglórios”. É natural. Já ouvi bobagens sobre todos os filmes de Quentin Tarantino. E elas são sempre as mesmas. Acusam seus filmes de serem pastiches sem nenhuma originalidade. Dizem que suas obras se sustentam em diálogos (intermináveis). Dizem que os planos são longos e cansativos. Que suas referências são repetitivas e previsíveis. Que sua experiência estética é vazia. Que seus filmes são de uma “masturbação intelectual” nauseante. Tudo blá blá blá de quem não sabe o que é cinema. Aos que sabem, alegrai-vos: “Bastardos Inglórios” é cinema. E cinema de verdade.


Quem não reconhece a beleza da seqüência inicial de “Bastardos Inglórios” é porque nunca viu um Sérgio Leone na vida. Quem não vibra com a agilidade da câmera de Tarantino é porque não conhece o vigor de um Godard. Quem não morre de rir de suas piadas insanas é porque não conhece Lubitsch. Mas, sobretudo, quem não pula da cadeira, pelo menos uma vez, nas quase três horas de filme, é porque não conhece o próprio Tarantino; esse filho da puta genial que, porra, não pretende inovar, só quer fazer cinema de verdade – e faz. E, para apreciar “Bastardos Inglórios”, nem é preciso saber quem é Sérgio Leone, Godard ou Lubitsch. Tarantino faz cinema para todos. E, acima de tudo, faz um trabalho com luz própria. Ele não é um parasita. Ele não sai por aí colando referências. Ele tem autonomia. Autonomia até para mudar os rumos da História.


Ainda assim, os desavisados dirão bobagens sem sentido sobre “Bastardos Inglórios”. Dirão, inclusive, que Tarantino nunca estará entre os grandes. Inútil, meus caros. Ele já está. E qualquer coisa que possa ser dita, inclusive esse texto, é pouco para tentar explicar o maior filme deste início de século. Tudo bem. Quentin Tarantino não está nem aí para o que dirão sobre ele. Como o bom filho da puta que é, deve estar sorrindo tranqüilo em algum lugar, com a certeza de ter feito uma obra-prima (e ele sabia muito bem que  o estava fazendo, como faz questão de elucidar Aldo Raine na cena final). Em tempo, cinéfilos: Quentin Tarantino explodiu (literalmente) o cinema. Agora sim, a festa pode começar. As portas estão abertas. E que venham os próximos grandes filmes do nosso século!

23.10.09

O gênio de Quentin Tarantino, e o filme do ano

Mateus Moura (APJCC-2009)


Escalpelado, brutalmente escalpelado; quem ama cinema perde a cabeça, perde a razão - é queimado nas chamas da experiência audio-visual. A razão volta mais tarde, as palavras voltam a fazer sentido, e a sintaxe confusa do pensamento balbucia: "-É, acho que essa é a obra-prima desse filho da puta!". Aldo Raine concorda.


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Falar que Quentin Tarantino é o maior cineasta do nosso tempo se tornou pouco, depois de Inglourious Basterds, Fuller, Leone, Hawks, Fulci podem abrir a porta da casa que Godard falou um dia, Tarantino está entre os grandes, não há sombra de dúvida.


Falar que Quentin Tarantino é um dos maiores cineastas de todos os tempos também parece pouco; depois de ver/ouvir a estória ambientada miticamente na histórica 2ª Guerra Mundial, acreditamos poder contemplar em primeira mão um dos maiores narradores em plena atividade, refinando-se rigorosamente.


Porra, falar do filme?! Talvez com os amigos durante uma noite toda - aos berros! Talvez produzindo um ensaio durante uma semana toda - revendo e relendo!


O que acontece é que o que Quentin Tarantino faz é um cinema que já existe. Como Ronaldo Passarinho falou de Michael Mann acerca de Inimigos Públicos, é "cinema de novo", não cinema novo. Tomar a História do Cinema como Mito e não a História Literária como Ciência é ensinamento de Sergio Leone, de Jean-Pierre Melville, de Jean-Luc Godard. Contar sua estória se valendo de emoção, com a câmera e a banda sonora em ação negritando a narrativa cinematográfica é lição de Fuller e todos os grandes cineastas americanos. Ir além do "bom gosto" e ultrapassar a barreira para atingir os extremos é lição de Fulci e todos os grandes cineastas malditos. O fato é que Tarantino é um virtuose da sua ferramenta, um pensador moral do seu tempo, um iconoclasta anarquista e um artista extremamente sensível.


Um pianista tem seu instrumento e 7 notas para criar uma música, as combinações são infinitas. Um escultor tem um material sólido, um martelo, algo que ele bata com o martelo, as formas são infinitas. O cineasta tem um arma chamada película e - meu deus! - o que se pode fazer com ela...


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p.s: os judeus podem dormir um pouco mais em paz, porque além de ser um faroeste, um filme de guerra (sub-gênero missão), uma comédia de humor negro, é um filme de Vingança. Aquela vingança que não pode se ler nas páginas de História, poderá ser vista por centenas de anos nas imagens do Mito.


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